Uma visão geral da teoria Integral
por Sean Esbjörn-Hargens
(originalmente publicado em MetaIntegral Foundation, Resource Paper No. 1, June 2012)

“A palavra integral significa abrangente, inclusivo, não-marginalizante, abarcante. As abordagens integrais, em qualquer campo, buscam exatamente isso: incluir, dentro de uma visão coerente do tópico, o maior número possível de estilos, metodologias e perspectivas. De certa forma, as abordagens integrais são “meta-paradigmas”, maneiras de unir os diversos paradigmas isolados já existentes em uma rede inter-relacional de abordagens mutuamente enriquecedoras.” Ken Wilber

O mundo nunca foi tão complexo quanto agora – é mentalmente atordoante e, às vezes, emocionalmente exasperante. Além disso, essa cacofonia mundial parece se tornar cada vez mais complexa conforme enfrentamos os grandes problemas do nosso tempo: o fundamentalismo religioso extremista, a degradação ambiental, o colapso dos sistemas educacionais, a alienação existencial e a instabilidade dos mercados financeiros. Nunca houve tantas disciplinas e visões de mundo a serem consideradas e consultadas para lidar com essas questões – uma verdadeira cornucópia de perspectivas. Porém, sem uma forma de ligar, alavancar, correlacionar e alinhar essas perspectivas, a maioria de suas contribuições para os problemas que estamos encarando ficam perdidas ou comprometidas. Agora nós somos parte de uma comunidade global e precisamos de um sistema que consiga sustentar as diversas perspectivas válidas, que possuem algo a oferecer para nossos esforços individuais e nossas soluções coletivamente criadas — um sistema de visão global, porém que esteja ancorado nas minúcias da nossa vida cotidiana. 

Em 1977 o filósofo norte-americano Ken Wilber publicou seu primeiro livro, O Espectro da Consciência — uma obra revolucionária, que integrava as principais escolas de psicologia dentro de um contínuo de complexidade crescente, com diferentes escolas focando nos diversos níveis ao longo desse espectro. Ao longo dos trinta anos subsequentes ele deu prosseguimento a esse impulso integrativo, escrevendo livros sobre temas como antropologia cultural, sociologia da religião, filosofia, física, ciência e religião, saúde, estudos ambientais, e pós-modernismo. Wilber publicou mais de vinte livros até hoje, e nesse processo criou a teoria integral [2]. Sua obra foi traduzida para mais de vinte e quatro idiomas — o que dá uma ideia de seu alcance e utilidade globais [3]. Desde que foi criada por ele, a teoria integral tornou-se uma das principais abordagens dentro do campo de estudos integrais e meta-teorias [4]. Seu papel proeminente é em grande parte resultado das inúmeras aplicações dentro das quais ela se provou eficaz, assim como do trabalho de diversos praticantes-acadêmicos que contribuíram e seguem contribuindo para seu desenvolvimento contínuo. 

A teoria integral costura os insights significativos de todas as grandes disciplinas humanas do conhecimento, incluindo tanto as ciências naturais e sociais quanto as artes e as ciências humanas. Devido à sua natureza abrangente, ela vem sendo utilizada em mais de trinta diferentes campos acadêmicos e profissionais — tais como arte, saúde, gerenciamento organizacional, ecologia, congregações religiosas, economia, psicoterapia, direito e feminismo. Além disso, ela tem sido usada no desenvolvimento de uma abordagem de transformação e integração pessoal chamada Prática de Vida Integral [ILP, no original em inglês]. O sistema ILP permite que os indivíduos explorem e desenvolvam de forma sistemática os muitos aspectos de si mesmos, tais como seu corpo físico, sua inteligência emocional, sua percepção cognitiva, seus relacionamentos interpessoais e sua sabedoria espiritual. Como a teoria integral inclui sistematicamente mais aspectos da realidade e os inter-relaciona de maneira mais minuciosa do que qualquer outra abordagem atual de avaliação e construção de soluções, ela possui o potencial de ser mais bem-sucedida ao lidar com os complexos problemas que estamos enfrentando no século 21. 

A teoria integral fornece a indivíduos e organizações um sistema poderoso, adequado para praticamente qualquer contexto e utilizável em qualquer escala. Isso se deve ao fato de que ela organiza todas as abordagens e disciplinas de análise e ação atualmente existentes, e permite que o praticante selecione as ferramentas, técnicas e insights mais relevantes e importantes. Consequentemente, ela vem sendo utilizada de maneira bem-sucedida em um grande número de contextos — desde o ambiente íntimo da psicoterapia individual até o programa “Liderança Para Resultados”, das Nações Unidas, que foi usado em mais de trinta países como resposta global à AIDS. Na parte final desse artigo irei fornecer outros exemplos da teoria integral em ação, a fim de ilustrar a variedade de contextos nos quais as pessoas estão descobrindo a utilidade desse sistema. 

Foi após a publicação de seu livro seminal Sex, Ecology and Spirituality [em livre tradução: Sexo, Ecologia e Espiritualidade], em 1995, que Wilber começou a utilizar o termo “integral” para se referir à sua abordagem. Nesse livro ele introduziu o modelo quadrante, que desde então se tornou um ícone de seu trabalho em geral — e da teoria integral, em particular. Esse modelo é frequentemente denominado modelo AQAL, onde a sigla AQAL (pronuncia-se áqual) quer dizer “todos os quadrantes, todos os níveis, todas as linhas, todos os estados e todos os tipos” [em inglês: all quadrants, all levels, all lines, all states and all types]. Esses cinco elementos representam alguns dos padrões repetitivos mais fundamentais da realidade. Ao inclui-los, portanto, você “cobre o básico”, certificando-se de que nenhuma parte importante de uma solução seja esquecida ou negligenciada. Cada um desses elementos pode ser utilizado para “olhar” a realidade — e, ao mesmo tempo, representam os aspectos básicos da sua própria percepção agora e em cada momento. Nesse texto eu irei lhe conduzir ao longo das características essenciais de cada um deles, além de fornecer exemplos de como são utilizados nos mais diversos contextos, qual o motivo de serem tão úteis para um praticante integral, e como identificá-los em sua própria percepção nesse exato momento. Ao término dessa visita guiada, você terá uma compreensão sólida de uma das mais versáteis e dinâmicas abordagens integrativas dos insights de inúmeras disciplinas. Então vamos começar com os fundamentos do modelo AQAL: os quadrantes…

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