Entrevista concedida em 14 de fevereiro de 2021, na qual Wilber trata, entre outros, dos seguintes tópicos: saúde dele, pandemia, desafios atuais, escravidão, eleição de Joe Biden, obras futuras, Prática de Vida Integral, morte da Psicologia, interesse pela Filosofia, futuro da Comunidade Integral, Inteligência Artificial, Transumanismo, substâncias psicodélicas, vida após a morte.


Transcrição da entrevista de KEN WILBER a RAQUEL TORRENT

14 de fevereiro de 2021, em plena pandemia | Tradução: Ari Raynsford

Este homem de olhos negros profundos, grande altura e posturas sentadas impossíveis por causa de suas longas pernas, fez 72 anos. Este homem que fez uma conjunção entre o Oriente e o Ocidente em suas extensas obras, que tem sido elogiado e criticado por muitos em partes iguais, que criou a Teoria mais utilizada no mundo para explicar a realidade por meio da maioria das disciplinas humanas – incluindo a Política – ganhou o respeito de ser chamado de o Einstein da Consciência e ser considerado um dos filósofos mais influentes de nossos tempos. Este homem é Ken Wilber.

A primeira vez que visitei Ken Wilber em seu pequeno apartamento em Denver, antes de seu loft atual, foi em 2005. Depois disso, voltei mais três vezes e no ano passado (2020) pretendia fazer minha quinta visita quando surgiu a Pandemia. Então, eu o vi on line na Conferência Integral Europeia de 2020, onde ele deu, brilhantemente, o toque final do bem-organizado evento. Ele apareceu de surpresa para Julia Ormond, que entrevistava Sebastian Siegel de forma admirável sobre a adaptação cinematográfica do livro Graça e Coragem do Ken.

Depois disso, fiz algumas tentativas de me conectar com Ken por vários meses, até que ele me escreveu com ternura “deixe-me melhorar”, indicando que ele não estava se sentindo bem. Esperei, receosa de que algo realmente ruim estivesse acontecendo. Agora, após uma longa espera, temos muita sorte de estar com ele e a alegria de que ele está conosco! Comemoremos seu aniversário de 72 anos com esta entrevista, realizada com perguntas da Comunidade Integral de diversas partes do mundo.

Como muitas pessoas me perguntaram sobre sua saúde, como nos preocupamos com você, e também porque permanecer saudável – em meio a esta pandemia – é a principal preocupação de todos no planeta neste momento, essa será nossa primeira pergunta.

1. Como você passou, Ken, durante o seu período de silêncio? O que aconteceu que o fez ficar longe da sua – digamos – vida pública? Você diria que teve alguma experiência lúcida, conforme seus ensinamentos, durante seu período de “recuperação”?

Ken: O que aconteceu ao longo dos anos, enquanto continuava meu próprio crescimento e desenvolvimento contemplativo-meditativo – como já escrevi –, é que passei a ter uma consciência que, essencialmente, permanece presente 24 horas por dia, 7 dias por semana.

Em outras palavras, eu tenho uma consciência não dual – a sensação de ser um com tudo de que estou consciente – e essa consciência se mantém na vigília, no sonho, no sono profundo, e o que acontece de vez em quando, especialmente no sono profundo, que é tecnicamente chamado de “consciência sem um objeto”, é apenas pura vacuidade, e você não está consciente de nada que está surgindo. Há apenas uma espécie de vazio luminoso e, às vezes, quando entro nele e ainda tenho um pouco de consciência de vigília, acabo ficando meio sonâmbulo. Consigo me levantar, sem reconhecer o que está acontecendo, e andar pelo local.

O que ocorreu dessa vez é que me levantei e fui em direção a uma mesa de aço, senti que quebrei os dois pés e, de fato, doeu muito. Eu tive de ser hospitalizado. Fiquei lá por cerca de uma semana e demorou vários meses para realmente recuperar-me. Foi quando você tentou falar comigo. Isso é o que estava acontecendo e, novamente, por causa dessa consciência constante, consigo lidar com muita dor porque a dor simplesmente surge, mas eu não me identifico de forma alguma com ela. Mesmo assim, se estou com muita dor, é dela que minha mente tenta se conscientizar e, portanto, não consigo me concentrar facilmente em
outras coisas. Assim, fiquei “sem trabalhar” por diversos meses enquanto lidava com a dor que fluía pelo meu corpo.

Além dos dois pés, quebrei a parte inferior da minha perna esquerda, tive de fazer uma cirurgia e implantar uma longa haste de titânio de 60 centímetros na perna. Agora, disparo o detector de metais em um aeroporto sem levar nada comigo! Por causa disso, não trabalhei muito ou olhei e-mails por alguns meses, mas não tive Covid ou algo parecido.

Para ler a íntegra desta entrevista, clique no link ao lado: Entrevista_de_ken_wilber_a_raquel_torrent

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