Neste ensaio, Ken Wilber apresenta um resumo do seu Modelo Psicológico. Além disso, em três apêndices, ele discute os Estágios de Desenvolvimento Espiritual, o Problema Difícil da Consciência e o nascimento de uma Psicologia Integral.


Ondas, Correntes, Estados e o Eu
Um resumo do meu Modelo Psicológico (ou esboço de uma Psicologia Integral)
Ken Wilber | Tradução Ari Raynsford

Embora longe de ser unânime, parece haver um consenso de que nem a mente nem o cérebro podem ser reduzidos sem remanescentes. Este ensaio argumenta que, de fato, tanto a mente quanto o cérebro precisam ser incluídos de um modo não reducionista em qualquer teoria genuinamente integral da consciência. Para facilitar essa integração, este ensaio apresenta os resultados de uma extensa pesquisa bibliográfica intercultural sobre o lado “mente” da equação, sugerindo que os fenômenos mentais que precisam ser considerados em qualquer teoria integral incluem níveis de desenvolvimento ou ondas de consciência, linhas de desenvolvimento ou correntes de consciência, estados de consciência e o eu (ou sistema do eu). Um “modelo-mestre” desses vários fenômenos, extraído de mais de cem sistemas psicológicos do Oriente e do Ocidente, é apresentado. Sugere-se que esse modelomestre represente um resumo geral do lado “mente” da integração cérebro-mente. O ensaio conclui com reflexões sobre o “problema difícil”, ou como o lado “mente” pode ser integrado ao lado “cérebro” para gerar uma teoria mais integral da consciência.

Ocorre que este ensaio também acaba sendo um resumo bem abrangente do meu próprio modelo psicológico ou um esboço de uma psicologia integral.

Introdução

A quantidade de teoria e pesquisa agora dedicada ao estudo da consciência é bastante surpreendente, dada sua história de negligência nas décadas anteriores. Por mais encorajadora que seja essa pesquisa, acredito que ainda estão faltando certos itens importantes na discussão geral sobre o papel e a natureza da consciência. Neste ensaio, portanto, gostaria de esboçar o que creio ser um modelo de consciência mais integral, não para condenar as outras abordagens, mas para sugerir maneiras pelas quais suas importantes contribuições possam ser ainda mais enriquecidas ao se considerar essas áreas negligenciadas.

Este é a continuação de um ensaio anterior (“An Integral Theory of Consciousness”, Wilber, 1997b).1 Como este é também um sumário de evidências e argumentos desenvolvidos em outros textos, raramente citarei outras autoridades nesta apresentação; meus trabalhos, a que faço referência neste ensaio, fazem isto extensivamente, e os leitores interessados podem acompanhar essas referências. (Eu percebo que não incluir as referências originais neste ensaio – milhares delas – não é confortável para o leitor, mas o tamanho adicional seria proibitivo. Comprometo-me a adicionar algumas referências representativas de cada um dos campos.)

Grande parte da pesquisa atual sobre a consciência foca nos aspectos que apresentam algum tipo de ancoragem óbvia no cérebro físico, incluindo os campos da neurofisiologia, da psiquiatria biológica e da neurociência. Embora pareça haver um consenso desconfortável de que a consciência (ou a mente) não pode ser totalmente reduzida a sistemas físicos (ou ao cérebro), ainda não há um acordo generalizado quanto à sua relação exata (“o problema difícil”). Este ensaio começa tentando propor um compêndio desses aspectos do lado “mente” da equação, que precisa ser trazido para a tabela integrativa.

Psicologia Integral (Wilber, 2000b) comparou e contrastou mais de cem psicólogos do desenvolvimento – ocidentais e orientais, antigos e modernos – e, a partir dessa comparação, foi criado um “modelo-mestre” da gama completa da consciência humana, usando cada sistema para preencher as lacunas deixadas pelos outros. Esse modelo-mestre, embora seja um simples dispositivo heurístico e não uma leitura do “modo como as coisas são”, sugere um “catálogo de espectro total” dos tipos e modos de consciência disponíveis para homens e mulheres. Esse catálogo pode ser útil, na medida em que buscamos uma teoria “mente-cérebro” que faça justiça a ambos os lados da equação – o cérebro e a mente – porque se pode esperar cobrir, razoavelmente, muitos dos aspectos da “mente” que devem ser incluídos, junto com os aspectos do “cérebro” derivados da neurociência, para se chegar a um tipo de modelo de consciência robusto e abrangente.

Depois de delinear esse catálogo de “espectro total” da mente, sugerirei meu próprio modelo para ajustar a mente ao cérebro, à cultura e aos sistemas sociais. Em outras palavras, resumirei uma versão de uma teoria da consciência mais abrangente ou integral, que combina o catálogo de espectro total da mente (ou modelo-mestre) com a neurociência, a pesquisa do cérebro e fatores culturais e sociais atuais, os quais parecem desempenhar um papel crucial na consciência.

Começando pelo catálogo de espectro total de estados mentais: a conclusão da comparação intercultural apresentada em Psicologia Integral é que existem pelo menos cinco componentes principais da psicologia humana que precisam ser incluídos em qualquer teoria abrangente: níveis de desenvolvimento de consciência, linhas de desenvolvimento de consciência, estados normais e alterados de consciência, o eu ou sistema do eu, e o que chamo de os quatro quadrantes (que incluem cultura e visões de mundo, neurofisiologia e ciência cognitiva, e sistemas sociais). Consideremos cada um desses componentes pela ordem.

Para ler a íntegra do artigo, clique no link: Ondas_correntes_estados_e_o_eu

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