Você já se perguntou por que a vida se manifesta em opostos? Por que tudo o que você valoriza é uma ponta de um par de opostos? Neste excerto do livro No Boundary, Ken Wilber explora o dualismo intrínseco da mente, oferecendo um caminho simples, mas convincente, para “transcender os pares” e descobrir o coração não dual do Sempre Presente …


Metade de Tudo
Ken Wilber | Tradução de Simone Oliveira Zahran
(https://integrallife.com/no-boundary-union-opposites/)

Você já se perguntou por que a vida se manifesta em opostos? Por que tudo o que você valoriza é uma ponta de um par de opostos? Por que todas as decisões estão entre opostos? Por que todos os desejos são baseados entre opostos?

Note que todas as dimensões espaciais e direcionais são opostas: acima vs. abaixo, dentro vs. fora, alto vs. baixo, grande vs. pequeno, norte vs. sul, esquerda vs. direita, comprido vs. curto. E observe que todas as coisas que consideramos sérias e importantes são um dos polos de um par de opostos: bom vs. mau, vida vs. morte, prazer vs. dor, Deus vs. Satanás, liberdade vs. vínculo.

Do mesmo modo, nossos valores sociais e estéticos são sempre colocados em termos de opostos: sucesso vs. fracasso, lindo vs. feio, forte vs. fraco, inteligente vs. estúpido. Mesmo nossas abstrações mais elevadas repousam em opostos. A lógica, por exemplo, refere-se a verdadeiro vs. falso; a epistemologia, a aparência vs. realidade; a ontologia, a ser vs. não ser. Nosso mundo parece ser uma coleção maciça de
opostos.

Este fato é tão corriqueiro, que mal precisa ser mencionado; mas quanto mais se pondera acerca dele, mais ele se torna espantosamente peculiar. Porque a natureza, ao que parece, desconhece esse mundo de opostos no qual as pessoas vivem. A natureza não produz sapos verdadeiros e falsos, nem árvores morais e imorais, tampouco oceanos certos e errados. Não há traços na natureza de montanhas éticas e não éticas. Nem há algo como espécies bonitas e espécies feias – ao menos não as há para a natureza, que se satisfaz em produzir espécies de todos os tipos. Thoreau disse que a Natureza nunca se desculpa; aparentemente, porque a Natureza não conhece os opostos certo e errado, e, assim, não reconhece o que os humanos imaginam ser “erros”.

É certamente verdade que algumas das coisas as quais nós chamamos “opostas” parecem existir na Natureza. Há, por exemplo, sapos grandes e pequenos, árvores grandes e pequenas, laranjas maduras e verdes. Mas isso não é um problema para eles, e não os leva a crises de ansiedade. Pode até haver ursos espertos e outros bobos, mas isso não parece preocupá-los muito. Você simplesmente não encontra complexo de inferioridade em ursos.

Clique no link ao lado para ler a íntegra: Wilber, Ken – Metade-de-tudo

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