Neste artigo Ken Wilber analisa o Dualismo Cartesiano à luz da Metateoria Integral, sugerindo que ele não foi bem entendido nem pela Modernidade nem pela Pós-modernidade. “É claro que Descartes cometeu alguns erros e a maioria deles é perfeitamente óbvia para nós hoje; mas seus acertos foram profundos – absolutamente, surpreendentemente, maravilhosamente profundos. E qualquer tipo de abraço verdadeiramente integral não seria integral sem as importantes, embora parciais, verdades do Cartesianismo.” – KW


O Gênio Descartes Leva uma Surra Pós-moderna
Ken Wilber | Tradução Ari Raynsford

[Nota: por favor, leia “A Desconstrução do World Trade Center”, ou este texto não fará muito sentido. Obrigado, Ken]

Depois de sua aula na terça-feira, Lesa Powell ficou por mais uma hora ou duas para conversar com estudantes interessados sobre René Descartes que, segundo ela, foi o primeiro grande filósofo moderno (laranja)1 e, portanto, o principal bode expiatório dos pós-modernistas verdes. Kim insistiu para que eu ficasse, mas não entendi por quê.

“Isso o ajudará a entender essa idiótica Inteligência Artificial com a qual você está envolvido.”

“Sério?”

“Sério. O dualismo cartesiano é o principal pecado da modernidade, você não sabia disso?” Ela começou a rir, como se isso fosse algum tipo de piada para iniciados. “E você não quer viver em pecado, não é? O que você, Wilber, andou fazendo nesses seus 20 anos de idade? E já vivendo em pecado.”

Nesse ponto, Powell ouviu Kim e interveio: “Essa jovem – Kim, não é? – está tirando sarro da cara de vocês, pessoal. O dualismo cartesiano é, na verdade, o começo de um brilhante e profundo Vedanta para o Ocidente, uma colossal conquista vista por alguns gênios como Moshe Kroy, mas, infelizmente, um fato completamente – e eu enfatizo o completamente – perdido pelos lunáticos cretinos do pós-modernismo. Vocês estão interessados em saber por quê?” E Lesa deu sua gargalhada fácil, dentes brancos sobre pele negra nas luzes suaves e cintilantes do palco. Eu pensei: que diabos, eu também preciso ouvir isso? Minha mente já tem tantas estrias, para que mais algumas contusões no meu córtex, feridas no meu cérebro? Não é algo de que eu realmente necessite.

Woody Allen: “O cérebro – esse é o meu segundo órgão favorito.”

“Não fique tão aflito, Wilber”, Kim sorriu.

Lesa: “Vocês têm ouvido o constante refrão do Centro Integral: este ou aquele teorizador está ‘meio certo, meio errado’. E vocês sabem por que dizemos isso com tanta frequência: é porque nenhuma mente – e, portanto, nenhum teorizador – é capaz de produzir apenas inverdades. Como Joan graceja: ‘ninguém é suficientemente inteligente para estar errado o tempo todo’. Isto significa que cada visão ou perspectiva filosófica encerra algum tipo de verdade e nosso trabalho é reunir todas as verdades parciais em uma maravilhosa tapeçaria de possibilidades humanas, e não escolher uma verdade parcial e defendê-la até a morte contra todas as outras. “Bem, isso vale em dobro para o pobre Descartes. É claro que ele cometeu alguns erros e a maioria deles é perfeitamente óbvia para nós hoje; mas seus acertos foram profundos – absolutamente, surpreendentemente, maravilhosamente profundos. E qualquer tipo de abraço verdadeiramente integral não seria integral sem as importantes, embora parciais, verdades do Cartesianismo.

Para ler a íntegra do artigo, clique no link: o_gênio_descartes_leva_uma_surra_pós-moderna

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