Neste ensaio, originalmente publicado na primeira edição da obra Eye to Eye (Shambhala, 1983), Ken Wilber avalia, por meio do advento da Arte Moderna, a evolução da Arte à luz da Filosofia Perene e tece comentários de como será a Arte futura.


Ante os Olhos do Artista
Por Ken Wilber | Tradução de Ari Raynsford

Um paradigma verdadeiramente abrangente (ou visão de mundo inclusiva) deve ter algo a nos dizer não só sobre ciência, mas também sobre arte. Pois a arte não é apenas uma maneira de fazer, é fundamentalmente uma maneira de conhecer. De acordo com a filosofia perene, homens e mulheres possuem pelo menos três modos diferentes de conhecer: o olho da carne, que revela o mundo material, concreto e sensual – o mundo da sensibilia; o olho da mente, que revela o mundo simbólico, conceitual e linguístico – o mundo da intelligibilia; e o olho da contemplação, que revela o mundo espiritual, transcendental e transpessoal – o mundo da transcendelia. Esses não são três mundos distintos, mas três aspectos diversos do nosso mundo único, revelados por diferentes modos de conhecer e perceber.

(Esses domínios gerais, de matéria/corpo a ego/mente a alma/espírito, são coletivamente chamados de a Grande Cadeia do Ser. Diz-se que a Grande Cadeia geralmente consiste em cinco, sete, ou ainda mais níveis de ser e de conhecer. Para os propósitos desta apresentação, a divisão simples em três níveis será suficiente, mas deve-se ter em mente que uma teoria geral da arte pode ser muito mais precisa se considerarmos mais níveis.)

Eis o ponto crucial: quando se trata de uma teoria crítica da arte, que olho ou olhos o artista específico está usando? Obviamente, o ambiente do artista é, em geral, a sensibilia ou várias substâncias materiais (tinta, argila, concreto, metal, madeira, etc.). Porém, a questão fundamental é: usando o ambiente da sensibilia, o artista está tentando descrever, representar ou evocar o domínio da própria sensibilia, ou o domínio da intelligibilia, ou o domínio da transcendelia? Em outras palavras, à questão estética padrão: “quão competente é o artista para representar ou evocar um fenômeno em particular?” adicionamos a questão ontológica crucial: “onde, na Grande Cadeia do Ser, está o fenômeno que o artista tenta representar/evocar/expressar?” E “ele ou ela consegue?”

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