A mentalidade e os valores que produziram riqueza, aumento da expectativa de vida, erradicação de doenças, o período menos violento da história da humanidade, o fim da escravidão, a democracia e os direitos humanos estão, por seus exageros, produzindo colapsos com uma aceleração dramática impulsionada pela tecnologia.


A lacuna cognitiva, emocional e ética dos nossos tempos
por Marcelo Cardoso

Somos a única espécie que com seus comportamentos produz as condições para a autoextinção. Estamos diante de colapsos civilizatórios sociais, ambientais e existenciais.

A mentalidade e os valores que produziram riqueza, aumento da expectativa de vida, erradicação de doenças, o período menos violento da história da humanidade, o fim da escravidão, a democracia e os direitos humanos estão, por seus exageros, produzindo estes colapsos em potencial com uma aceleração dramática impulsionada pela tecnologia.

Algumas das premissas desta narrativa, como o antropocentrismo, a liberdade individual, o mercado e suas trocas criam consequências nefastas. Tais como uma baleia ou uma árvore merecerem mais valor mortos do que vivos. Isso produz um custo brutal de externalidades para o sistema sem nenhum mecanismo de autorregulação, como há em todos os outros sistemas naturais.

A natureza destes problemas perversos, criados pela humanidade só pode ser entendida por uma cognição que compreenda complexidade e transdiciplinaridade, requerendo uma maturidade emocional e empatia que possibilita a tomada de decisões baseadas em lidar com consequências e não em procurar estar certo.

As lideranças das organizações e da sociedade individual ou coletivamente não sustentam estas condições e portanto as decisões que estão tomando estão muito distantes das que são necessárias para promover novas estruturas na sociedade e no planeta.

O dilema desta lacuna é que enquanto estes potencias colapsos se aceleram pelo uso de tecnologias que continuam produzindo mais do mesmo mais rápido, as empresas como o Google, Facebook e Amazon, hipertrofiadas pelos melhores cérebros humanos e de máquinas impulsionando mais consumo desnecessário e narrativas que mantém o status quo e que poderiam catalizar a mudança perpetuam o sistema e não desenvolvem nenhuma iniciativa que possa fechar esta lacuna.

Esta diferença de mentalidade requer das pessoas e grupos o compromisso com o autodesenvolvimento psicoespiritual, que leva tempo e demanda abertura. Não temos este tempo e muito menos temos criado as condições para que a prioridade seja o compromisso com a transformação pessoal e coletiva.

Existem porém algumas propostas que começam emergir na fronteira dos sistemas e que propõe uma nova sociedade centrada do desenvolvimento da consciência individual e coletiva, que é um sopro de esperança. Na inércia da vida, em média as pessoas levam um tempo para evoluir, quando se proporcionam as condições adequadas este processo se acelera e as pessoas que passam por estas jornadas em grupo criam um tecido resiliente que funciona como um impulsionador de transformações.

Que possamos nos comprometer com a nossa evolução e criar as condições para as pessoas despertarem para seus potenciais.

Compartilhar: