Este artigo trata de um tópico que considero essencial: a natureza do significado linguístico – ou semiótica – e como uma abordagem verdadeiramente Integral muda fundamentalmente a forma de compreendê-lo. Um dos passos básicos é entender que o referente, ou “objeto real”, representado por qualquer signo linguístico, não existe “por aí” em uma realidade única, pré-dada e imutável, mas sim em um espaço de mundo particular e específico – um quadrante, ou nível, ou linha, ou estado, ou tipo – e só pode ser “visto” ou “experienciado” se encontrarmos esse espaço de mundo particular e dirigirmos nossa consciência para ele.

Um “cachorro” pode ser visto por praticamente qualquer ser senciente com cérebro e olhos, e existe no mundo sensório-motor. Mas, e quanto a “Deus”, ou “natureza de Buda”, ou “Espírito”? Esses são significantes simples como “cachorro” – isto é, uma marca material que alega representar uma realidade. Mas essa realidade não está simplesmente “lá fora” em um mundo único, prédado, sensório-motor – e, assim, os respectivos referentes, frequentemente, são considerados sem sentido.

Mas meu ponto é que todos eles existem, de fato, em um espaço de mundo específico que pode ser descoberto e experienciado – tal como o estado de consciência causal ou informe, estágios particulares de meditação, experiências de pico específicas ou estados alterados. Quando se está nesses espaços de mundo e não simplesmente olhando fixamente para o espaço sensório-motor, os referentes verdadeiros (os “fenômenos reais” de cada referente) podem ser claramente vistos ou experienciados. E isso altera a natureza e o significado da semiótica, afirmando que qualquer referente dado de um significante particular existe em um espaço de mundo específico, e para experienciar adequadamente esse referente (se ele existir), o sujeito deve entrar nesse espaço de mundo particular e, só então, buscar pelo referente.

A Semiótica Integral oferece um mapa ou estrutura abrangente da maioria dos espaços de mundo conhecidos, disponíveis para os seres humanos, e, portanto, um mapa que nos permite conhecer o Endereço Kósmico de um referente particular e, desse modo, saber onde procurar por qualquer referente representado por um significante. Uma vez que a maior parte desses espaços de mundo não possui localização simples ou forma material, é provável que eles sejam negados como realidades pela maioria das escolas realistas, empíricas ou comportamentais – quando, na verdade, eles são o lar da ampla maioria das coisas que muitos humanos reputam valiosas. Assim, a Semiótica Integral não é uma questão apenas de linguística, mas de emancipação.

O texto completo pode ser encontrado em inglês, aqui, e sua tradução para o português, por Ari Raynsford, aqui.

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